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segunda-feira, 29 de abril de 2013

UM POUCO MAIS DE FILOLOGIA.

Caros Visitantes,
para aqueles que tiveram interesse na resenha crítica postada por nossa colaboradora Francisca Ayanny, vulgo"Nona Ay", segue agora o texto no qual foi baseado a mesma. Espero que este texto sirva para ajudá-los na compreensão e na pesquisa relacionada à Filologia.

*OBS.: TEXTO EXTRAÍDO DIRETAMENTE DO SITE DA REVISTA "SUPERINTERESSANTE", ED. 033 DE JUNHO DE 1990.

Linguagem
Antes da Torre de Babel
Os 3 mil idiomas falados hoje no mundo podem ter a mesma origem. Na busca dessa lingua-mãe, os pesquisadores descobrem semelhanças incríveis que talvez não sejam coincidências.

Recolhido a seus aposentos numa certa noite do final do século VII a.C., Psamético, um dos últimos faraós do Egito, que reinou de 664 a 610 a.C., refletia sobre as línguas que os homens falavam. Sua riqueza e diversidade, as semelhanças e as diferenças entre as palavras, as pronúncias, as inflexões de voz, tudo o fascinava — principalmente a idéia de que essa multiplicidade tinha uma origem comum, uma língua mãe falada por toda a humanidade num tempo muito remoto, como afirmavam as lendas da época. O faraó imaginou então uma experiência engenhosa e cruel. Convencido de que, se ninguém ensinasse os bebês a falar, eles se expressariam naquele idioma original, determinou que dois irmãos gêmeos fossem tirados da mãe logo ao nascer e entregues a um pastor para que os criasse. O pastor recebeu ordens severas, sob pena de morte, de jamais pronunciar qualquer palavra na presença das crianças.
Quando completaram 2 anos, o faraó mandou que se deixasse de alimentá-las, na suposição de que a pressão da fome faria com que pedissem comida em sua "língua natural". Não se sabe bem o que aconteceu, mas tudo indica que o pastor, movido pela compaixão, não fez exatamente o que lhe havia sido ordenado. Pois o inverossímil relato enviado ao faraó informava que um dos meninos, faminto, havia pedido pão em cíntio, idioma falado antigamente na região que viria a ser a Ucrânia, na União Soviética. Assim, satisfeito com o desfecho da impiedosa pesquisa, Psamético decretou que o cíntio era a língua original da humanidade. Por incrível que pareça, a experiência seria repetida dezenove séculos mais tarde. O idealizador foi o rei germânico Frederico II (1194-1250), que pelo visto não se convenceu das conclusões do faraó. Certamente vigiado mais de perto, o experimento resultou no inevitável: os dois gêmeos morreram.
De Psamético I aos dias de hoje, passando por Frederico II, muitos outros homens igualmente curiosos se perguntaram qual teria sido e como seria possível reviver o idioma do qual brotaram todos os demais. Essa indagação se transformou modernamente numa área de pesquisa de ponta em Lingüística, a ciência que estuda a evolução das línguas, suas estruturas e possíveis inter-relações no quadro histórico e social. Os estudos viriam confirmar a crença dos antigos. Segundo o lingüista Cidmar Teodoro Pais, da Universidade de São Paulo, a comparação entre as várias línguas do planeta, tanto as ainda faladas quanto as já desaparecidas, revela efetivamente algumas características comuns que apontam para a possível existência de uma língua primeira, mãe de todas. Nesse ponto, a Lingüística parece se afinar com as mitologias que descrevem a dispersão das línguas pelo mundo.
A mais conhecida delas é a história bíblica da Torre de Babel. Segundo o Antigo Testamento, a multiplicação das línguas foi um castigo de Deus à pretensão dos homens de construir uma torre cujo topo penetrasse no céu. As lendas chinesas contam que a divisão da língua original fez com que o universo "se desviasse do caminho certo". Na mitologia persa, Arimã, o espírito do mal, pulverizou a linguagem dos homens em trinta idiomas. E um dos livros sagrados dos maias, o Popol Vuh, lamenta: "Aqui as línguas da tribo mudaram — sua fala ficou diferente. (...) Nossa língua era uma quando partimos de Tulán. Ai! Esquecemos nossa fala".
Hoje muitos lingüistas estão empenhados em passar da lenda à verdade histórica, mas a tarefa é de extrema dificuldade. O exercício da Lingüística como ciência, por sinal, está longe de ser uma atividade simples ou compensadora. Ao contrário, lingüistas freqüentemente passam anônimos pelo mundo, ao contrário de outros escavadores do passado humano, como os arqueólogos e paleontólogos. Grandes nomes da Lingüística deste século, os franceses Ferdinand de Saussure, Émile Benvèniste e o americano Noam Chomsky são ilustres desconhecidos para o público leigo. "Definitivamente", resigna-se o lingüista Flávio di Giorgi, da Universidade Católica de São Paulo, "esta ciência que se faz debruçado sobre manuscritos antigos, inscrições ou reconstituições de línguas não tem qualquer vocação para ser popular."
Para quem gosta, porém. é um prato cheio. "Já me diverti muito estudando Lingüística", conta Teodoro Pais, um professor de óculos de lentes grossas, fala mansa e hábitos metódicos, no ramo há 30 de seus 50 anos de vida. Afinal, os atuais 5 bilhões de seres humanos se comunicam recorrendo a um estoque de cerca de 3 mil línguas espalhadas pelos quatro cantos do mundo. Essas, mais outros milhares já esquecidas que deixaram algum tipo de registro escrito, foram agrupadas em doze famílias lingüísticas importantes e cinqüenta menos importantes.
Essas duas grandes arrumações familiares aparentemente nada têm em comum — e eis aí a suprema dificuldade dos pesquisadores: eles farejam semelhanças onde o que salta aos olhos são diferenças. As buscas, contudo, têm o estímulo das barreiras já derrubadas. Quem diria, por exemplo, que há algum parentesco, embora remoto, entre o português e o sânscrito, uma língua falada na Índia há milhares de anos, e ainda a sua versão moderna, o hindi? E, no entanto, o parentesco existe.
Descobriram os lingüistas que esses idiomas descendem de um mesmo e único tronco, o indo-europeu, pertencendo portanto à grande família das línguas indo-européias que inclui também o grego, o armênio, o russo, o alemão, entre muitas outras. Hoje, aproximadamente a metade da população mundial tem como língua nativa um idioma dessa família. Foi justamente a descoberta do parentesco entre o sânscrito e as línguas européias, no século XVIII, que fez nascer a Lingüística histórica, dedicada a investigar essas similaridades. A tese da origem comum foi proposta em 1786 por Sir William Jones, um jurista inglês cujo passatempo era estudar as culturas orientais. A partir de então, os lingüistas europeus passaram a se dedicar a duas tarefas: uma, refazer passo a passo a árvore genealógica dessa família, trilhando a história de sua evolução, outra, reconstituir a língua perdida que dera origem a todas, o indo-europeu. Esse trabalho não se faz às cegas, ou por ensaio e erro. A pesquisa percorre o caminho aberto pelas leis lingüísticas, resultantes de outros estudos, que mostram como os sons e os sentidos das palavras evoluem com o tempo, promovendo a transformação das línguas. Essas leis são estabelecidas a partir de comparações entre palavras. Por exemplo, do latim lacte e nocte vieram as formas leite e noite. Comparando-se os termos, percebe-se que o "c" das palavras em latim virou "i" nos vocábulos em português. No século passado, o trabalho dos lingüistas se apoiou fortemente numa lei formulada em 1822 pelo alemão Jacob Grimm (1785-1863), mais conhecido pelos contos de fadas que escreveu com seu irmão Wilhelm, entre os quais Branca de Neve e os sete anões.
A lei de Grimm afirmava ser possível prever como alguns grupos de consoantes se modificariam com o tempo nas línguas indo-européias. Entre outras coisas, ele dizia que uma consoante forte ou sonora (pronunciada fazendo-se vibrar as cordas vocais) tendia a ser substituída por sua equivalente fraca ou surda (pronunciada sem vibração das cordas vocais). O "b" e o "p"constituem um par desse tipo, assim como o "d" e o "t". "B" e "d " são fortes, "p" e "t" são fracas, como se pode comprovar, pronunciando-os com a mão na garganta. Com base nessas leis, foi possível mostrar, por exemplo, que a forma dhar em sânscrito, que significa puxar, trazer, originou o inglês draw, o alemão tragen, o latim trahere e o português trazer, todos com significado semelhante. O "d" da palavra em sânscrito virou "t" nas outras línguas. Pode-se concluir ainda que a palavra em inglês evoluiu menos que nas demais, pois se manteve fiel ao som original do sânscrito.
Os lingüistas puderam assim "estabelecer um modelo confiável das relações familiares entre as línguas", conta o paulista di Giorgi, "construindo um modelo bastante aceitável do que teria sido a língua ancestral — o proto-indo-europeu." O que se ambiciona, porém é uma descoberta muito maior. Dispondo das reconstituições dos ancestrais de grande parte das famílias mais importantes, os lingüistas tentam achar relações entre as próprias protolínguas. O primeiro e maior obstáculo é justamente o material de que dispõem. Apesar de resultarem de cuidadosa montagem científica, as protolínguas não passam de modelos, pouco mais que sombras do que terão sido as línguas antigas. Algo como um dinossauro de museu em relação ao bicho verdadeiro.
"Nesse ponto, a análise avança com base na cultura, pois não se dispõem mais de documentos escritos", explica Teodoro Pais, da USP, que conhece sânscrito e gostava de trocar cartas com os colegas em proto-indo-europeu. Toda língua produz e reflete cultura e não é à toa que, fundamentados nas palavras reconstituídas da protolíngua, os pesquisadores podem inferir com razoável margem de confiança os hábitos do povo que a falava. Com esses dados é possível construir pontes até outros grupos aparentemente não relacionados. Por exemplo, tanto nas línguas indo-européias quanto no grupo semítico, as palavras homem e terra originalmente se confundem. Em hebraico, são respectivamente adam e adamah, ambas derivadas de uma raiz comum em proto-semítico.
Em proto-indo-europeu, a palavra dheghom tem os dois significados. A parte final originou o latim homo (homem) e humus (terra, solo). Assim, embora não haja parentesco etimológico algum entre as palavras semíticas e indo-européias, é clara a semelhança quanto à maneira de pensar e classificar o mundo entre as populações de ambos os grupos lingüísticos. As mais recentes descobertas da Arqueologia e até da Genética conduzem à mesma idéia: é possível agrupar as grandes famílias em famílias ainda maiores, um avanço formidável na busca da língua-mãe. Há mais de vinte anos, os lingüistas russos Vladislav M. Illich Svitch e Aron Dolgopolsky propuseram que o indo-europeu, o semítico e a família das línguas dravídicas da Índia poderiam fazer parte de uma superfamília, chamada então nostrática. Na época, o trabalho foi encarado com desconfiança. Depois, ganhou alguma aceitação nos meios científicos. Há pouco, enfim, uma descoberta da Genética parece ter dado nova projeção ao trabalho dos soviéticos.
A partir de análises de grupos sangüineos de várias populações, a equipe do geneticista Allan C. Wilson, da Universidade da Califórnia. em Berkeley, concluiu que há um grande parentesco genético entre os falantes das línguas indo-européias, semíticas e dravídicas. Isso quer dizer que, ocupando uma vastíssima porção do planeta, da Ásia às Américas, eles têm mais em comum entre si do que, digamos, com os japoneses ou os esquimós. Essa descoberta coincide de forma espantosa com a teoria da superfamília nostrática. Em outra frente, pesquisas arqueológicas e lingüísticas estão finalmente determinando o local de origem do proto-indo-europeu-um dos objetivos dos lingüistas desde o século passado.
Até os anos 40, os pesquisadores acreditavam que o berço do indo-europeu estava situado no norte da Alemanha e da Polônia. Essa teoria, sustentada por deduções bastante ingênuas, foi usada nada ingenuamente pelos nazistas para confirmar sua teoria de que a raça tida como pura dos arianos surgira ali mesmo. Os lingüistas imaginavam que, se fosse possível estabelecer um pequeno vocabulário comum à maioria da línguas indo-européias, estariam diante de algumas palavras localizadoras, sobreviventes do proto-indo-europeu, em cuja terra natal seriam ainda faladas. Uma dessas tentativas estabeleceu três palavras localizadoras — tartaruga, faia (uma árvore) e salmão. O único lugar onde todas elas podiam ser encontradas era uma área da Europa Central entre os rios Elba, Oder e Reno, na Alemanha, de um lado, e o Vístula, na Polônia, de outro. Ali havia salmões, tartarugas e faias. Não havia tartarugas ao norte da fronteira alemã, faias a leste do Vístula nem salmões a oeste do Reno. O método acabou desacreditado, pois muitas das palavras localizadoras estão sujeitas a mudanças de sentido, não sendo portanto instrumentos confiáveis.
As pesquisas mais recentes afirmam que o proto-indo-europeu era falado há cerca de 6 mil anos na Ásia e não na Europa Central. Dois trabalhos, um do americano Colin Renfrew, outro dos soviéticos Thomas Gamkrelidze e V.V. Ivanov, concordam ao apontar o berço do indo-europeu como o planalto da Anatólia, uma região que vai da Turquia à República da Armênia, que faz parte da União Soviética. Dali, movidos pela busca de terras férteis e de novos campos de caça, os indo-europeus migraram, há uns cinco milênios, seja para a Europa, seja para a Ásia. A corrida à procura da língua-mãe está apenas começando mas desde já nessa aventura científica não faltam algumas descobertas insólitas.
Uma delas é a incrível semelhança de palavras entre as línguas indígenas da América pré-colombiana e idiomas falados pelos povos do Mediterrâneo e Oriente Médio. Por exemplo, os índios araucanos do Chile usam a mesma palavra que os antigos egípcios, anta, para designar o Sol e a mesma palavra que os antigos sumérios, bal, para machado. A palavra araucana para cidade é kar, semelhante a cidade em fenício, que é kart. Há mais: a palavra maia thallac, que designa "o que não é sólido", é semelhante a Thallath, o nome da deusa do caos na antiga Babilônia. Curiosamente, thallac lembra ainda thalassa, mar em grego, e Tlaloc, o deus asteca da chuva. Shapash, o deus-sol dos fenícios, é também o deus-sol dos índios klamath, no Oregon, Estados Unidos. Essas misteriosas semelhanças escapam a qualquer tentativa de classificação. Mas, como disse certa vez Albert Einstein, o mistério é a fonte de toda verdadeira ciência. Desde que, para resolvê-lo, não seja preciso negar comida a crianças, como fizeram um faraó egípcio e um rei germânico.




Libido, liberdade lubrificante....
"Cada palavra tem sua biografia particular", ensina o linguista Flávio di Giorgi. O estudo dessas biografias proporciona um conhecimento íntimo do idioma e das contribuições que o enriqueceram. Alguns exemplos em português:

Tufão vem do chinês tu fong, vento forte.
Crocodilo vem do grego krokos deilos, lagarto do Nilo.
Óbvio vem do latim ob, na frente, e vias, caminho. Elementar.
Goiaba vem do tupi moim, cobrinha, e uba, fruta. Óbvio.
Xeque-mate vem do iraniano shahmat, o xá está morto.
Ébrio vem do celtibero bria, uma grande caneca de cerveja consumida nas tavernas da Península Ibérica na época dos romanos. Os que tomavam mais de uma caneca eram os exbria, além da caneca.
Sóbrio vem de sub-bria, aqueles que se contentavam com menos de uma caneca.
Libido, liberdade e lubrificante têm a mesma raiz latina lib. "Faz sentido", ensina di Giorgi. "Sentir amor erótico significa ao mesmo tempo libertar-se, estar desimpedido, lubrificado, como prova a fisiologia humana."




*Retirado diretamente do seguinte link: http://super.abril.com.br/historia/lingua-mae-antes-torre-babel-439479.shtml . (Original da internet)

por DOM.

E agora.... Filologia!

Demorei um pouco, isso é verdade, mas aqui está um exemplo de Resenha Crítica para todos aqueles que leram a matéria sobre resenha. Esta que aqui posto foi feita por mim, para a disciplina de Filologia lecionada pela Porf.ª Adjanir Nascimento, no curso de Letras o qual sou aluna.
Sem mais delongas, a resenha.


Resenha sobre a Reportagem da revista Superinteressante¹ de 1990

É complicado se trabalhar com certas áreas históricas em vista da pouca quantidade de dados que tais garantem aos seus pesquisadores. A Filologia, ainda que seja uma ciência inteiramente voltada para a linguagem, se envolve com a História tal como se envolve com outras ciências, como a Psicologia e a Antropologia. Para tanto, sabe-se que documentos oficiais, principal objeto de estudos, perderam-se com o tempo de acordo com as situações em que se envolviam. Pensando desta forma, consegue-se entender o quanto complicada é a busca pela árvore genealógica que muitas vezes a Filologia se presta com o apoio da Linguística Histórica.
Um dos trabalhos da Linguística do século passado, o mais importante de todos eles, era encontrar a mãe das línguas, ou pelo menos algum parentesco, através da comparação entre línguas semelhantes. Desta forma descobriram-se as línguas românicas, isto é, línguas que possuem uma mesma raiz comum: o latim. Bem como outras famílias linguísticas surgiram na medida em que as comparações ganhavam concretude. As “proto-famílias” (por que não dizer “as superfamílias”) também se tornaram alvos para os linguistas a partir do momento que eles perceberam que as famílias linguísticas possuíam certo grau de semelhança, ao se observarem certos grupos de vocábulos e seus significados. Talvez umas das ânsias dos linguistas fosse comprovar o mito da Torre de Babel, em que todos os homens falavam a mesma língua e, para demonstrar a superioridade humana, criaram uma torre que pudesse alcançar o céu. Deus, para “castigar” a pretensão do homem, destruiu a torre e com ela a língua original, fazendo com todos os homens passassem a falar línguas diferentes. Mas surge o questionamento: qual o interesse da Filologia nessa investigação histórica?
Realmente é uma pergunta pertinente e a resposta é ainda mais pertinente. Para uma ciência que estuda a cultura e o comportamento dos povos através dos escritos deixados por eles, seria bastante conveniente conhecer a origem de todas as línguas, por mais utópico que possa parecer. O ato de conhecer a gênesis linguística ajuda o filólogo a entender os processos culturais que modificaram e distanciaram, ou não, a língua-mãe de suas “filhas e netas”. No entanto, há um porém, talvez o mais sutil e definidor de todos: muitas vezes as evidências genealógicas entre línguas remotamente aparentadas são escassas, ou seja, os linguísticas históricos se valem de algumas poucas palavras na busca do sang’real, isto é, o sangue real. Sabe-se que do contato de uma língua com outra, pode ocorrer da primeira tomar para si expressões da segunda e vice-versa. Qual seria a prova, então, de que ambas são parentes? Nem sempre a semelhança de alguns vocábulos indicará um verdadeiro grau de parentesco.
A reportagem publicada na revista Superinteressante, intitulada “Antes da Torre de Babel” vem relatar tais constatações já abordadas ao longo do texto. No terceiro parágrafo, na seção Português é aparentado até com o sânscrito, é relatado: [...] “3 mil línguas espalhadas pelos quatro cantos do mundo. Essas, mais outras milhares já esquecidas que deixaram algum tipo de registro escrito, foram agrupadas em doze² famílias linguísticas importantes e cinquenta menos importantes.” Nesse pequeno trecho, mas bastante esclarecedor, nota-se o nível de dificuldade que linguistas históricos de todo o mundo enfrentam ao longo de seus estudos. Se supusermos que cada língua possui em torno de 5.000 verbetes, cada qual com seus significados e etimologias próprias, teremos 15.000.000 milhões de palavras oficialmente catalogadas para serem comparadas, sem estar levando em conta os dialetos e as línguas ditas mortas³ (a exemplo o latim).
Tamanho trabalho árduo gera frutos mínimos observando tais números, mesmo que supostos. Comparar línguas, encontrar nelas reminiscências de outra, e nesta se deparar com resquícios, e para fim encontrar nestes sopros ou ecos de um passado de difícil acesso de uma língua. É de semelhante dificuldade que os paleontólogos partilham ao encontrarem o osso da ponta da cauda de um gigantesco brontossauro (um dos dinossauros de maior comprimento de que se tem notícia).
Na reportagem mencionada, logo de cara nos deparamos com um fato comprovado: essa investigação não é algo oriundo dos tempos modernos. Bem antes do nascimento de Cristo, um faraó já refletia sobre a língua dos homens. As mais bizarras experiências foram feitas para tentar descobrir qual era a língua dos primórdios. Bebês eram criados sem nenhum contato social e verbal, se preciso fosse o suprimento alimentício seria cortado para que eles fossem instigados a usar a língua original. No entanto, ao que consta, foi um fiasco. Mas o desejo de descobrir a “avó” de todas as mães de todas as línguas resistiu ao tempo e as experiências com crianças. Chegou aos tempos modernos e com eles encontrou novos meios de estudar as similaridades que as línguas tinham entre si, assim dando início a Linguística Histórica e realçando os interesses da Filologia.
Um dos pontos que ponho em cheque nesse momento final do texto, talvez culminante para toda a minha argumentação, são os justos exemplos dados ao fim da reportagem. Aqui cito o parágrafo:

Uma delas é a incrível semelhança de palavras entre as línguas indígenas da América pré-colombiana e idiomas falados pelos povos do Mediterrâneo e Oriente Médio. Por exemplo, os índios araucanos do Chile usam a mesma palavra que os antigos egípcios, anta, para designar o Sol e a mesma palavra que os antigos sumérios, bal, para machado. A palavra araucana para cidade é kar, semelhante a cidade em fenício, que é kart. (SUPERINTERESSANTE, pg.??, 1990)

Os linguistas, bem como os filólogos, trabalham com muito pouco para dizer tanto. Não afirmo que seja um trabalho em vão, que tais estudos não levarão a lugar algum, no entanto já se percebeu que as famílias e as proto-famílias não são realmente línguas concretas: na verdade são suposições das originais, posto que não haja documentos escritos em tais línguas. É preciso tomar cuidado, pois uma língua possuir palavras semelhantes, ou de mesmos significados, ou mesmo idênticas a outras não significará propriamente que sejam irmãs, primas, netas, filhas ou mães.






¹  Número da revista não identificado, bem como o mês de publicação
²No texto original se encontra “dose”, mas para ajudar na compreensão a correção foi feita.
³Uma língua morta não significa que não é mais usada. Na verdade é uma língua que não é mais falada pelo povo.



por Nona Ay

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Mais um pouco de Linguística para vocês


TROCANDO EM MIÚDOS COM O FORMALISMO

Francisca Ayanny Pereira Costa¹

Ferdinand de Saussure
Antes de se saltar diretamente para a Linguística Científica, vale ressaltar que essa só veio a ser uma ciência propriamente dita depois dos esforços, sendo que nenhum fora em vão, de Ferdinand de Saussure. Este estudioso voltou seu olhar para uma única, por assim colocar, missão: tornar a Linguística uma área das ciências modernas. Para tanto buscou definir os dois principais pré-requisitos para uma disciplina tornar-se científica: o objeto e o método.
O primeiro dos dois requisitos, nós podemos entregar os créditos da delimitação para Saussure, visto que, apesar de não ter sido o pioneiro, foi o que iluminou o caminho para muitos que viriam a seguir. Sabendo que a linguagem compõe-se do discurso, seja este falado seja escrito, Saussure teve que tomar a difícil decisão de objetivar a linha de estudos da Linguística. Pelo o que se constava, na linguagem havia duas vertentes, surgindo assim uma de suas famosas dicotomias, ou se trabalharia com a fala, ou se trabalharia com a língua.
Saussure optou pela segunda por razões, por assim colocar, convenientemente seguras e lógicas. Em oposição à fala, a língua possuía quatro características que a tornavam perfeita para ser o objeto da Linguística científica, citando-as: abstrata, social, homogênea e é um sistema. Observemos por parte então. A primeira delas é que a língua não se constitui de um conjunto de processos fisiológicos como a fala (o ato de emitir sons, de recebê-los, transformá-los em impulsos elétricos e enviá-los ao cérebro), trata-se de uma atividade cognitiva, isto é, da consciência construída por todo homem com interações sociais. Analisando desta forma, independente do idioma aprendido, todo ser humano acaba por adquirir a língua, ou uma língua.
Visto que a consciência pode ser considerada fruto de uma interação social, e que linguagem é, talvez, uma consequência dessa interação, a língua torna-se social. Para melhor explicar, tomemos um exemplo: todos, por mais extrema que seja a região, que moram no Brasil falam o português brasileiro. Um falante que mora em Chorozinho, Ceará, é compreendido por um falante que mora em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, ou no Arquipélago de Fernando de Noronha, e isso se dá porque para ambos os moradores a língua é mesma, ainda que regionalismos existam. Há algo de comum para todos os habitantes de uma nação e isso torna o estudo da língua mais viável para Saussure, ao invés de estudar cada forma individual de falar. Pensando dessa forma entende-se a homogeneidade da língua, isto é, uma língua única para todos.
No entanto, para podermos mergulhar realmente no formalismo, o que nos interessa é a última particularidade da língua observada por Saussure: o fato de a língua constituir-se de um sistema. Se para todos os praticantes do português brasileiro há uma unanimidade, garantindo a compreensão e sociabilidade entre os mesmos, significa que existe um conjunto de aspectos abstratos, e então adquirido por eles, que sustenta essa unanimidade. Há esse ponto em comum que Saussure chama de “sistema”. Falo de um conjunto de regras que regem o uso da língua, isto é, a fala. Poderíamos denominar de duas maneiras esse conjunto: o nosso dicionário e a nossa gramática mental. O dicionário para o uso das palavras de acordo com seus significados, ou seja, o conteúdo. A gramática, principalmente, para a construção dos enunciados, ou seja, a forma.
É nesse ponto que entra o já citado Formalismo, como já está no próprio nome, se volta justamente para a “forma do sistema”. Talvez por ter Saussure como seu precursor, as dualidades também se apresentaram nesse nível dos estudos linguísticos. Como antes, vamos por parte. O primeiro modelo formalista de estudos da linguagem enformado foi Estruturalismo. Igualmente ao Formalismo, o que este modelo trata está no próprio nome: a estrutura da língua, que não deixa de ser sinônimo, neste caso, de forma. Teve suas importâncias para a Linguística Científica e aqui cito duas julgadas por muitos como decisivas.
Leonard Bloomfield
Primeiramente, o caráter epistemológico foi levado em conta. Analisar o objeto a partir de sua raiz, nesse caso, seria a construção das sentenças, relevando as relações que os termos usados criam entre si (determinante e determinado). Mas vale lembrar que, como postulava Bloomfield, não se considerava a linguagem uma capacidade inerente ao homem, isto é, o ser humano aprendia ao longo de sua convivência com o meio (pessoas e ambientes) e com as respostas que recebia de seus estímulos. Bloomfield apoiava-se na teoria behaviorista para explicar o processo de aquisição da linguagem. Em suma, o homem constrói a partir do que recebeu.
Por conseguinte, observa-se o caráter metodológico. Sabendo que é importante observar as relações que os termos sustentam entre si, é preciso conhecer como elas se dão, estruturalmente pensando. Nos é apresentado o princípio da comutação. Os constituintes são analisados a partir de sua localização na estrutura e de seu comportamento para com ela, deixando de lado o conceito tradicional, criando-se a Gramática de Constituintes. Tomemos um exemplo para tanto: o adjetivo deixar de ser a palavra que caracteriza o ser, e se torna, pela posição, a palavra que acompanha o substantivo, e pela função, o agente determinante do sujeito ou do próprio substantivo. Se assim não for, a palavra perde sua caracterização como “adjetivo” e passa a ser outra coisa. Desta forma pode-se observar cada estrutura e dividi-la em seus dois constituintes, repetindo o processo nos termos que surgirem, por conseguinte.
Pode parecer conveniente, mas para um estudioso chamado Noam Chomsky problemas se evidenciaram ao se trabalhar com uma gramática de constituintes. Chomsky percebeu que se analisando, pelo princípio da comutação, cada sentença era uma sentença específica e que não se repetia em outros casos. Então como explicar orações escritas de maneiras diferentes, mas que expressavam a mesma coisa? (Comi o bolo/O bolo foi comido por mim) Não deveria haver semelhante estrutura, posto que as sentenças expressem o mesmo significado? E quanto às sentenças que expressem mais de um significado, ou seja, as ambiguidades? (A cachorra da vizinha espiou-me pelas brechas) Terei uma estrutura ou duas? Chomsky percebeu que a Gramática de Constituintes precisava ser aperfeiçoada a fim de responder estas perguntas.
Noam Chomsky
O outro lado da moeda formalista passa a ser conhecida: o gerativismo de Noam Chomsky. O sistema e o seu uso recebem novas denominação, com algumas alterações quanto ao conceito: "língua" passa a ser competência, visto que a língua, para Saussure, era algo social e para Chomsky, e é aqui em que os conceitos se diferem, a competência (o sistema) é algo interno ao homem, portanto, inerente, e compartilhado por ele com os indivíduos. O uso passa a ser  o desempenho, ou performance, talvez por não ser foco de estudo de ambos os autores, ainda mantém o mesmo conceito para Saussure e para Chomsky. Basta lembrar-se do Enem: competência se refere àquilo que se deseja que o aluno tenha ao fazer sua redação e o desempenho poderia ser o ato de escrever em si. Tal como todos os seus precursores, Chomsky prefere a competência ao desempenho. Os motivos já foram mais do que abordados: trata-se do sistema e este é social, homogêneo e abstrato. Mas não é apenas nessa sutil troca que o gerativismo se difere do estruturalismo.
Sabe-se que Bloomfield acreditava que o homem era, tal como afirmava John Locke, uma tábua rasa, nascia sem absolutamente nada, mas Chomsky já pensava o contrário. Se uma criança consegue criar incontáveis frases a partir de poucos vocábulos oferecidos aleatoriamente, por exemplo, casa/bonita/amarela/papai/a/o/de/morar/ser, muitas destas frases nunca pronunciadas por aqueles que compõem o meio da criança, pode-se dizer que esta mesma criança possui alguma “coisa” que a permite receber sentenças, quebrá-las e reconstruí-las de acordo com a sua vontade.  Chomsky supunha que este mesmo meio em que essa suposta criança está inserida não possui “informações” suficientes para que ela forme estruturas complexas, como “A casa amarela de papai é bonita” na qual a coesão de gênero e de número é mantida. A esta insuficiência de informações, Chomsky chamou de “O argumento da pobreza de estímulos”, bem direto por sinal.
Para justificar casos como estes, o linguista afirmou existir um dispositivo inato ao homem responsável por esse “cardápio vasto” de estruturas que uma criança poderia ter. Chomsky refere-se justamente a capacidade humana de se adquiri uma linguagem, independente da língua, o “patenteado” Dispositivo de Aquisição da Linguagem, ou Language Acquisition Device (LAD), que se assemelha a uma linha de montagem: o indivíduo recebe as peças e vai recombinando-as de acordo com sua necessidade expressiva. Quem assim conhece, afirmar que o papel do meio para a aprendizagem fora descartado, no entanto nãoé bem assim que Chomsky propõe. Se não há o meio para oferecer “as peças” para indivíduo, não há como ele adquirir quaisquer línguas, ou seja, o meio tem a sua importância, mas não é o centro. Isto é, uma criança não nasceria sabendo que língua ela vai falar quando puder, na verdade é preciso que os pais a ensine e que um professor específico a ajude a desenvolver suas capacidades linguísticas. Assim propunha Chomsky em sua Teoria Gerativista.


¹Texto feito pela aluna para a disciplina de Linguística III: Morfossintaxe, ministrada pelo Prof. Tiago Gil no dia 04 de abril de 2013 para o 3º semestre do curso de Letras, da URCA - Universidade Regional do Cariri.


por NONA AY

Um pouco de Linguística para vocês

SOBRE A GRAMÁTICA TRADICIONALISTA, OU TRADICIONAL, AINDA MAIS, CLÁSSICA.

Francisca Ayanny Pereira Costa¹

No início, muito antes desta disciplina se chamar “Linguística”, os estudos voltados para a linguagem não eram propriamente gramaticais. Vale lembrar que tais estudos têm suas origens na Grécia Antiga, com os filósofos clássicos. Pode-se considerar que o primeiro passo dado rumo aos debates propriamente linguísticos foi dado por Platão, quando escreveu “Crátilo”, obra na qual ele começa a questionar a gêneses da linguagem humana. A pergunta que permeia tal trabalho é se trataria de um acontecimento natural ou seria convenção do homem. No trabalho, Platão se convence de que originalmente a linguagem era natural, e com o passar do tempo, em vista das influências dos meios e da reflexão sobre todas as coisas, convencionou-se.
Outro filósofo que voltou alguns de seus estudos para âmbito da linguagem foi Aristóteles. Diferentemente de Platão, que mantinha as discussões no domínio ideológico, Aristóteles trouxe-as para o campo do discurso. Este último estudou a construção do pensamento. Para ele, os conceitos, referente à nossa percepção do mundo, são palavras com significados próprios, os juízos são julgamentos formados a partir dos conceitos e por fim o raciocínio, mantendo a mesma linha de pensamento, é a união dos juízos.
Por estar trabalhando com a classificação das palavras no latim, Aristóteles observava cada termo de acordo com o seu significado, que posteriormente foram criadas dois tipos gramáticas baseadas nesse modelo de trabalho. Como havia o desejo mútuo de preservar a língua dos grandes escritores, isto é, o latim, as primeiras gramáticas propriamente ditas foram baseadas no significado e na pronúncia das palavras. Respectivamente, a primeira era para os falantes aprenderem a norma culta da escrita latina, enquanto a segunda servia para aqueles que queriam aprender a falar latim, mas não eram gregos. Mesmo com finalidades diferentes, ambas as gramáticas eram tradicionais, pois visavam manter o latim como língua primordial.
Dionísio da Trassa, outro filósofo de trabalhos provavelmente posteriores aos de Aristóteles, deu seguimento aos estudos do último, dando melhor forma. Percebeu-se, então, que essa gramática iniciada por Aristóteles e continuada por Dionísio possuía quatro importantes atributos. O primeiro refere-se a sua origem. Como já fora mencionada, as primeiras discussões a respeito da linguagem partiram dos filósofos, tal como a atitude de “montar” a primeira gramática. Assim posto, consideramos que a gramática tradicional é filosófica.
Por Aristóteles ainda ter mantido a associação da palavra com aquilo que ela representa no mundo real, já pregado por Platão, dizemos que a gramática tradicional é semântica. Isto é, ela primordialmente trabalha com os significados dos termos usados. Para efeito de exemplo tem-se a definição de substantivo ensinada nas escolas nas séries iniciais: a palavra que nomeia o ser. A criança deve conhecer primeiramente o que são os seres para só então poder aplicar a ação de nomeá-los, ou seja, ela deve ir ao mundo real para entender algo da linguagem.
Sabendo que essa modelo de gramática trabalhará com os significados, seja para quem quer escrever seja para quem quer falar. Era necessário criar-se um conjunto de normas, regras, para que os falantes pudessem seguir a risca a fim de manter o latim “intacto”. Tal como os médicos dizem aos seus pacientes que remédios tomarem para se curarem de suas enfermidades, os filósofos impuseram que “caminhos” as pessoas deveriam tomar caso quisessem se tornar verdadeiros cidadãos romanos através da língua. Podemos concluir, por fim, que a gramática tradicional também é prescritiva.
Quase como causa direta das duas características mencionadas acima, semântica e prescritivista, a gramática tradicional é, antes de tudo, universalista. Como já fora explicitado, a ânsia dos estudiosos gregos da linguagem humana era de preservar e de repassar a todos o latim usado pelos grandes escritores (aqui cito Homero, Virgílio, entre outros), portanto, todos que quisessem falar de maneira culta, deveriam se espelhar no latim, visto que era postulada como a língua perfeita dentre todas. Regras gerais foram criadas para que servissem para todas as outras línguas e eram pautadas no latim. Deste modo pode-se considerar que as outras propriedades tradicionais da gramática, exceto a filosófica, existiram em decorrência desse desejo de universalidade.
Com o advento da modernidade, em que o sentimento de nacionalidade aflorava em cada país, as línguas nacionais começaram a receber as atenções dos linguistas. O latim começou a perder seu caráter universal a partir do momento em que os estudos se voltavam para cada e toda manifestação da linguagem humana, independente da língua ou do país. O desejo já não procurar a língua perfeita ou mais completa, na verdade voltava-se para as descrições de cada particularidade das línguas. Por finalmente a Linguística ter se firmado como ciência específica, as bases teóricas das novas gramáticas eram baseadas na forma do enunciado, visto que Saussure, estudioso linguista, sugerira que o objeto da Linguística deveria ser a língua, ou seja, a forma da linguagem.

¹Texto feito pela aluna para a disciplina de Linguística III: Morfossintaxe, ministrada pelo Prof. Tiago Gil no dia 04 de abril de 2013 para o 3º semestre do curso de Letras, da URCA - Universidade Regional do Cariri.


por NONA AY